A aprovação da droga, que já ganhou o apelido de Viagra feminino, era aguardada com ansiedade por mulheres ao redor do mundo, insatisfeitas com suas vidas sexuais, e pela indústria farmacêutica, de olho no mercado bilionário. Dois dias após o anúncio, a empresa que desenvolveu a droga, a americana Sprout Pharmaceuticals, foi vendida para a canadense Valeant Pharmaceuticals por US$ 1 bilhão.
- Os bioidênticos e as «hormonas naturais» vendidos online não são regulados e podem apresentar riscos graves para a saúde.
- A osteopatia e a fisioterapia pélvica têm ganho relevância em Portugal no tratamento da dispareunia e do vaginismo.
- A utilização de brinquedos eróticos e a masturbação podem ser recomendadas como parte da exploração do próprio corpo.
- O desejo sexual tende a flutuar ao longo do ciclo menstrual, sendo natural a variação entre fases folicular e lútea.
- O uso de contraceptivos hormonais combinados pode reduzir a libido em algumas mulheres, devendo ser discutida a alternativa.
>> "Quero desejar meu marido outra vez"A conquista da cobiçada pílula rosa – uma referência à azul, do Viagra – chama a atenção para problemas sexuais femininos que, por muito tempo, permaneceram em segundo plano na pesquisa científica. Porém, para um grupo numeroso de especialistas, ainda é cedo para comemorar. Eles acreditam que o medicamento pode trazer mais sombras do que luz à sexualidade feminina. “Há muitos perigos em potencial”, afirma o australiano Ray Moynihan, que pesquisa o uso excessivo de medicamentos na Universidade Bond.
- Os cremes com estrogénio tópico são prescritos para atrofia vaginal e podem melhorar a sensibilidade e o conforto.
- A anamnese deve incluir a avaliação de patologias como diabetes, hipotiroidismo e síndrome dos ovários poliquísticos.
- Alterações na imagem corporal após gravidez ou menopausa podem influenciar significativamente a resposta sexual.
- A disfunção sexual feminina é classificada em perturbações do desejo, excitação, orgasmo e dor genital.
- O acompanhamento por enfermeiro especialista em saúde materna e obstetrícia pode apoiar a reeducação do pavimento pélvico.
>> A guerra pelo "Viagra feminino"Ao solicitar a aprovação à FDA, a agência reguladora que influencia as demais ao redor do mundo, a Sprout foi específica. Isso não impede que qualquer mulher queira usar o medicamento. A droga é destinada a tratar uma condição chamada transtorno do desejo sexual hipoativo, em mulheres na pré-menopausa. Ele é caracterizado pela ausência de desejos ou fantasias sexuais, desde que isso cause sofrimento.
- A testosterona em dose baixa é usada off-label em algumas mulheres na pós-menopausa, mas com supervisão médica apertada.
- Os efeitos secundários da testosterona em mulheres incluem acne, aumento de pelos e alterações da voz.
- A lubrificação vaginal insuficiente pode ser tratada com hidratantes e lubrificantes de venda livre nas farmácias portuguesas.
- Os suplementos de maca peruana ou tribulus terrestris são vendidos em ervanárias, mas sem evidência científica robusta.
- A cessação tabágica e a redução do consumo de álcool melhoram a função vascular e, consequentemente, a resposta sexual.
O problema é que essa condição não existe mais.
| Fator psicológico | Influência na eficácia | Estratégia de intervenção |
|---|---|---|
| Ansiedade de desempenho | Reduz a resposta aos fármacos | Terapia cognitivo-comportamental |
| Problemas de relacionamento | Bloqueio da resposta ao tratamento | Terapia de casal |
| Baixa autoestima sexual | Diminui a motivação para o tratamento | Psicoeducação sexual |
| História de abuso sexual | Resposta imprevisível aos fármacos | Psicoterapia especializada |
| Expectativas irrealistas | Abandono precoce da terapêutica | Aconselhamento médico realista |
Em 2013, o termo mudou de nome no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais dos Estados Unidos, a bíblia da psiquiatria mundial. A mudança revela a dificuldade de entender a libido feminina: não é que muitas mulheres não sintam desejo.
6. E a repercussão?
Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável.
7. Ginkgo biloba
A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália. O homem sente desejo e tem uma ereção. No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas. Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa.
3. DHEA
"Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. "E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Às vezes, ele aparece depois da excitação erótica, e não o contrário, como se pensava.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Professional | 100mg | 30 comprimidos | 88.92€ 84.69€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 120 + 4 comprimidos | 262.83€ 250.31€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 180 + 4 comprimidos | 337.30€ 321.24€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 20 comprimidos | 45.58€ 43.41€ | |
| Viagra Oral Jelly | 100mg | 21 saquetas | 78.66€ 74.91€ | |
| Viagra Original | 100mg | 14 + 2 comprimidos | 89.03€ 84.79€ | |
| Viagra Genérico | 50mg | 360 + 10 comprimidos | 225.33€ 214.60€ | |
| Viagra Genérico | 200mg | 30 + 2 comprimidos | 83.07€ 79.11€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 20 comprimidos | 37.74€ 35.94€ | |
| Viagra Genérico | 50mg | 270 + 8 comprimidos | 198.48€ 189.03€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 10 comprimidos | 25.19€ 23.99€ | |
| Viagra Original | 100mg | 22 + 2 comprimidos | 120.71€ 114.96€ | |
| Viagra Super Active | 100mg | 120 + 16 comprimidos | 198.37€ 188.92€ | |
| Viagra Genérico | 50mg | 90 + 6 comprimidos | 107.37€ 102.26€ | |
| Viagra Oral Jelly | 100mg | 10 saquetas | 46.36€ 44.15€ | |
| Viagra Original | 100mg | 120 + 8 comprimidos | 470.39€ 447.99€ | |
| Viagra Original | 100mg | 64 + 4 comprimidos | 264.15€ 251.57€ |
“Menos de 5% das mulheres não têm desejo sexual algum”, diz a americana Emily Nagoski, especialista em comportamento sexual.
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Da última vez em que esteve ligada à universidade, em meados dos anos 2010, ela começou a enfrentar dificuldade para continuar seus experimentos em psicofisiologia sexual quando um "senhor" que tinha bastante poder sobre a política de financiamento de pesquisa na instituição "parecia realmente incomodado" com o que ela se propunha a investigar. "Eu sempre amei a universidade, a ideia de ser cientista, de descobrir conhecimento - isso sempre teve mais apelo pra mim do que o mercado. Ele se aposentou, eu voltei", ela conta. Desta vez, ela tentou se colocar numa posição que considera mais segura. Está no departamento de Medicina, focada em áreas ligadas à sexualidade feminina, mas agora como estatística.
5. Maca peruana
"Eu brinco que ninguém precisa de um sexólogo, mas todo mundo precisa de um estatístico…" Depois de trabalhar com a pesquisa do viagra, Boolell se afastou dos testes clínicos relacionados à sexualidade. Passou por outras farmacêuticas na Suíça, França e Estados Unidos, mas em setores ligados às cardiopatias e à diabetes, suas áreas de expertise. No fim da conversa por telefone, a reportagem pergunta se ele acha que uma droga vai algum dia resolver os problemas sexuais das mulheres. "Seria triste se fosse uma pílula, né? Acho que somos mais do que isso." "As pessoas hoje querem uma pílula para tudo - para perder peso, resolver seus problemas sexuais. “Cerca de 30% têm o chamado desejo responsivo: precisam ser excitadas antes.
3. Como ela funciona?
Mas o corpo é muito mais do que isso. Nós somos resultado de milhões de anos de evolução. O corpo humano é uma máquina incrível - e acreditar que uma pílula pode resolver todos os problemas é uma visão acanhada." Sabia que a BBC está também no Telegram? Foram seis anos, duas reprovações e mais de US$ 100 milhões até que o mundo conhecesse a primeira droga para tratar a falta de desejo sexual feminino. Na terça-feira, dia 18 de agosto, a agência americana que regula medicamentos, conhecida como FDA, liberou a comercialização nos Estados Unidos do Addyi. Mas elas e os parceiros não criam clima.” Especialistas como Emily temem que a pílula rosa seja encarada como uma solução milagrosa, que desestimule as mulheres a se conhecer e a conversar com os parceiros. “Esse medicamento não atua nas causas reais do problema, que geralmente são repressão sexual, insegurança com o próprio corpo e falta de intimidade.” >> Elisabete Oliveira: “O amor sem sexo é possível”Ainda há o risco de a propaganda do medicamento criar padrões ideais – e irreais – de desejo.
| Suplemento | Contraindicações absolutas | Interações medicamentosas | Precauções especiais |
|---|---|---|---|
| Maca peruana | Doenças da tiroide não controladas | Levotiroxina (possível interferência) | Evitar na gravidez |
| Ginseng | Hipertensão não controlada | Varfarina, insulina | Não usar por períodos superiores a 3 meses |
| Ginkgo biloba | Distúrbios hemorrágicos | Anticoagulantes, AINEs | Suspender 2 semanas antes de cirurgias |
| Feno-grego | Alergia a leguminosas | Antidiabéticos orais | Monitorizar glicemia |
“Não existe nível normal de libido, isso é uma invenção da indústria”, diz a médica americana Adriane Fugh-Berman, que estuda estratégias de marketing da indústria farmacêutica na Universidade Georgetown.
- O termo «viagra feminino» é usado popularmente, mas não existe um medicamento único com essa designação aprovado em Portugal.
- Em Portugal, a flibanserina e a bremelanotide não estão autorizadas pelo Infarmed para o tratamento do desejo sexual hipoativo.
- As causas da falta de desejo feminino são frequentemente multifatoriais, incluindo fatores hormonais, psicológicos e relacionais.
- Antes de qualquer tratamento, é fundamental uma consulta de ginecologia ou de medicina geral e familiar no SNS.
- A terapêutica hormonal de substituição só deve ser considerada após avaliação clínica rigorosa e individualizada.
Existe o temor de que as campanhas de conscientização levem mulheres até então satisfeitas a questionar sua frequência sexual. “A propaganda da indústria é feita para incitar pessoas felizes a perguntar aos médicos se elas também não precisam se tratar”, diz Cindy Pearson, diretora da entidade americana Rede Nacional pela Saúde da Mulher.
2. De onde veio essa Flibanserina?
Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica. "Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta. O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson.
Carrinho vazio?
A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução. Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim. O modelo linear tradicional, que vem de estudos das décadas de 60 e 70, ignora o que ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher: confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque". Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear - quando não têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo. Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e excitação são etapas de um processo que se retroalimenta e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos.
O medicamento que gera controvérsia
Essa discussão é importante não apenas para entender melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que são problemas que de fato precisam de tratamento e o que é da natureza da sexualidade feminina. Lori Brotto, diretora do Laboratório de Saúde Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, vem estudando o uso de mindfulness (atenção plena) para tratar mulheres com baixa libido, com resultados bastante positivos. Por meio da prática, ela conta, as mulheres conseguiram ganhar mais consciência das mudanças físicas que acontecem antes e durante a atividade sexual - a vasocongestão ou as sensações parecidas com "formigamento" típicas da excitação -, o que pode lhes ajudar a aumentar ou manter o desejo sexual subjetivo. "Vimos que o mindfulness também atua sobre a miríade de pensamentos negativos que as mulheres com problemas sexuais têm de si mesmas, reduz o nível de viagra feminino liquido portugal autocrítica e aumenta a autocompaixão." Prause acredita que, a essa altura, a indústria farmacêutica tenha desistido de procurar uma pílula que resolva os problemas sexuais das mulheres. "O que tenho visto são startups tocadas individualmente por alguns cientistas com ideias mais inovadoras." A sua startup, a Liberos, ainda realiza pesquisas, mas recentemente a cientista voltou à UCLA. O caminho tortuoso do Addyi até sua aprovação é um termômetro da polêmica que cerca a nova droga.
| Ingrediente | Mecanismo de ação proposto | Evidência científica | Efeitos secundários possíveis |
|---|---|---|---|
| Maca peruana | Equilíbrio hormonal e aumento da energia | Estudos preliminares positivos | Distúrbios gastrointestinais |
| Ginseng vermelho | Vasodilatação e melhoria da excitação | Resultados mistos em ensaios clínicos | Insónia, hipertensão |
| Tribulus terrestris | Aumento da testosterona livre | Evidência limitada em mulheres | Irritação gástrica |
| Ginkgo biloba | Melhoria da circulação sanguínea periférica | Estudos com resultados contraditórios | Dores de cabeça, anticoagulação |
| Feno-grego | Modulação dos níveis de estrogénio | Alguns estudos mostram aumento da libido | Odor corporal, diarreia |
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